CORONAVÍRUS E A CRISE FINANCEIRA – Maceió ultrapassa a marca de 212 mil endividados no primeiro trimestre do ano

Período é marcado por altas consecutivas do endividamento e quantidade de inadimplentes registra o maior número dos últimos doze meses na capital alagoana

Foto da Internet

Em meio à pandemia do novo coronavírus, o primeiro trimestre do ano registrou três altas consecutivas do endividamento, do atraso de contas e da inadimplência, em Maceió. Com isso, o número de devedores na capital alagoana atingiu a marca de 212.590 no mês de março, cerca de quatro mil a mais do que o registrado em fevereiro (208 mil), o que representa um aumento de 1,92%. Os dados foram levantados na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) e divulgados pela Federação do Comércio do Estado de Alagoas (Fecomércio).

O grupo de inadimplentes apresentou o maior crescimento esse mês: 25,92% em relação a fevereiro, saindo de 48 mil para 60 mil, o maior número registrado em Maceió nos últimos doze meses.

Já os consumidores com contas em atraso aumentou 6,92%, de 92 mil, em fevereiro, para 98 mil, em março. Dentre esses, 46,5% afirmaram que outro membro de sua residência também está atrasando suas contas pessoais. Em contrapartida, 53,5% disseram que, da família, apenas eles(as) estão com dificuldade de fazer os pagamentos em dia. Segundo o grupo, o tempo médio de atraso de suas contas é de 75 dias.

De acordo com o assessor econômico da Fecomércio, Felippe Rocha, “se, em janeiro, a alta do endividamento foi resultado da busca em quitar impostos, matrículas e outros motivos, o mês de fevereiro teve como pano de fundo as compras de carnaval. Porém, em março ocorreu um aumento generalizado do endividamento e da inadimplência, justamente pelo efeito Covid-19”.

Ele explicou que a pandemia ocasionou a redução da renda de muitos consumidores e, pelo fato de a maioria não ter uma forma imediata de compensação financeira, a alternativa acabou sendo o uso do cartão de crédito, que é o responsável pelo maior número de dívidas (86,2%).

“Quando falamos em formas de contrair dívidas, o cartão geralmente aparece em primeiro lugar, mas um percentual tão alto assim demonstra que não houve, por parte da maioria dos consumidores, planejamento no uso. Porém, isso é compreensível quando consideramos o momento pelo qual passamos. Com pouca circulação monetária, o crédito pré-aprovado dos cartões acabou como alternativa mais acessível”, pontua o economista.

Os carnês de loja, também conhecidos por ‘crediários’, foram utilizados por 14,9% dos consumidores e 5,3% contraíram dívidas por outros meios. No geral, os consumidores passam, em média, 5,9 meses endividados e comprometem 28% de suas rendas com a aquisição de bens e serviços financeiros no mercado.

Para os 60 mil indivíduos que estão em situação de inadimplência, apenas 8,8% afirmaram que terão condições de quitar integralmente a dívida no mês seguinte. Para 15,2%, o pagamento será parcial, deixando o saldo remanescente para outros meses. Já 61,4% assumiram que não terão condições de encerrar as dívidas e realizar acordos com bancos e financeiras, o que irá aumentar ainda mais o montante a ser pago.

Apesar da alta na inadimplência, Felippe Rocha acredita que, a partir de abril, haverá uma redução neste indicador em decorrência das medidas econômicas adotadas pelo governo federal. “Devido à pandemia do Covid-19, o Banco Central, em conjunto com bancos privados, facilitou a prorrogação do pagamento de dívidas por até três meses, o que deverá ser bastante utilizado por quem está endividado”, explica ele.

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