CAOS NA ECONOMIA – Empresas sentem na pele o abandono do governo, diz Israel Lessa

Durante as últimas semanas, eu visitei diversas empresas, de vários setores e tamanhos, desde microempreendedores até indústrias de médio e grande porte. Conversei com vários empresários daqui de Maceió e de outras cidades alagoanas. Infelizmente, em todos os lugares onde fui recebido e em todas as conversas, havia grande preocupação com o futuro de nossa economia local.

A sensação é de desamparo. Os empresários alagoanos estão se sentido abandonados, relegados a sua própria sorte. Há um sentimento de que a situação atual é ruim e de que as perspectivas são piores. Poucas medidas existentes para a manutenção dos empregos e a manutenção das folhas de pagamento, como a suspensão dos contratos e redução da jornada de trabalho, já estão quase no fim de vigência e o governo federal não acenou com qualquer prorrogação. Se nada mudar, demissões em massa ocorrerão nos próximos dias e muitas empresas vão fechar em poucos meses.

Há equívocos e inúmeras limitações para o pouco crédito disponível às empresas, visando o reforço de seu caixa e a prorrogação de suas dívidas. Microempreendedores sequer foram contemplados com esses créditos.
A redução da renda das famílias, que jogou o consumo lá para baixo, será impactada negativamente com a prometida redução do benefício emergencial de R$ 600 para ínfimos R$ 200. Talvez nem isso. Se confirmado, teremos ainda menos dinheiro circulando em nossa já cambaleante economia alagoana. Daí, basta somente um sopro, para cairmos todos no precipício da recessão.

Mas o que me parece pior, além dos efeitos catastróficos dessa pandemia, é a omissão do poder público. Somada a forte instabilidade federal, que não consegue dar uma orientação clara para a economia, a omissão do governo estadual é brutal para o empresário. Estamos na contramão do mundo capitalista: na Itália, o governo injetou 4,5 bilhões de Euros no país; a Austrália preparou um pacote fiscal de mais de US$ 11 bilhões; e o banco central americano anunciou a injeção de US$ 700 bilhões. Afinal de contas, com mais dinheiro circulando, há melhora na economia.

É fundamental que o estado e o município executem uma política local de estímulo as nossas empresas. Há vários caminhos para isso, mas, aparentemente, pouco interesse em fazer. Por exemplo: é possível reduzir a carga tributária local, baixando impostos, taxas e diversas alíquotas. O poder público pode conceder estímulos e subsídios para setores estratégicos de nossa região. Poderíamos discutir e implementar uma política de efetivo financiamento e crédito estadual. Alagoas possui vários fundos já criados.

Aliás, fica a pergunta: para onde esses recursos estão sendo destinados? Para onde está indo o Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza – FECOEP? É preciso colocar todo esse dinheiro para circular já. Entretanto, me parece que tudo isso está muito acima dos interesses e das perspectivas de nossos governos. Por aqui, Estado e municípios são incapazes de propor, sequer, a necessária e gradual reabertura das empresas, com a programação responsável de prazos e setores, sem prejuízo das necessárias cautelas para com a vida dos cidadãos.

Vejo bloqueios nas praias da Jatiúca, Ponta Verde e Pajuçara. Entendo que são importantes para sinalizar a nossa população sobre a necessária restrição em tempos de COVID-19, mas me pergunto se não há outros tapumes que, infelizmente, bloqueiam a visão de nossos governantes.

Israel Lessa – ex-Superintendente Regional do Trabalho em Alagoas

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